Otimizando o check-in de um hospital

O MVP de uma plataforma de atendimento hospitalar: check-in por QR ou NFC na entrada, sem fila no balcão — a meta era 2 minutos; ficou em menos de 1.

Check-in por QR, a chegada confirmada e o fim do onboarding — três das 21 telas do app.

Escopo do projeto

O projeto nasceu como o MVP do que viria a ser uma plataforma de atendimento do hospital — registro de médicos, consultas e exames pros clientes. A primeira entrega era um pedaço só, e o mais urgente: um auto check-in dinâmico pra quem chega poder entrar na fila de espera sem precisar estar na porta do consultório.

O check-in acontece no momento em que a pessoa entra no hospital: ela escaneia um QR code ou aproxima o celular por NFC. Como a conta já existe na ficha do paciente, a autenticação abre direto a opção de escanear ou aproximar. O que a pesquisa no balcão mostrou é que pacientes com mais de 55 anos ocupavam mais tempo por causa da entrada manual de dados e do papel — e que o atraso deles virava atraso de todo mundo. Migrar 100% da inserção de dados pré-atendimento pro digital libera a recepção pra quem precisa de gente.

Meta do projeto

Check-in em 2 minutos, sem fila no balcão. Com as otimizações, ficou em menos de 1.

Papel

Product Designer

Pesquisa em campo, parametrização por faixa etária, fluxos de onboarding e check-in, wireframes de baixa a alta fidelidade e um protótipo interativo completo. Três meses, com Figma, desk research, prototipação e design de serviço.

Pesquisa e parametrização

Passei tempo no balcão observando a interação entre equipe e paciente, e classifiquei os pontos de dor por faixa etária. A tabela que saiu disso é o projeto inteiro em uma folha: quem tem de 18 a 35 anos resolve em 2 a 3 minutos e trava na digitação de documento e plano; de 36 a 55 são 5 a 8 minutos e a dor é a papelada; acima de 55 são 10 a 15 minutos, pouca familiaridade com tela e a preferência declarada por ser atendido por uma pessoa.

Pesquisas de mercado sobre o comportamento de idosos na internet ajudaram a adaptar a interface a habilidades motoras reduzidas e menor alfabetização tecnológica. Mas o insight que virou estratégia veio dos post-its: o idoso não é o problema — o fluxo de papel dele é. Não dá pra forçar quem não vai usar um app a usar um app; isso só cria mais estresse. O que dava pra fazer era tirar o público geral do balcão e esvaziar a sala.

18–35 anos2–3 min
36–55 anos5–8 min
55+10–15 min

Tempo médio de balcão por faixa etária, lido na tabela de parametrização.

A tabela de parametrização: faixa etária, necessidade, tempo médio de balcão, conforto com tecnologia e ponto de atrito.
A tabela de parametrização: faixa etária, necessidade, tempo médio de balcão, conforto com tecnologia e ponto de atrito.
Os três post-its que decidiram a estratégia.
Os três post-its que decidiram a estratégia.
A estratégia de UX em três frentes: app pra 18–55, totem simples pro check-in, balcão livre pros 55+.
A estratégia de UX em três frentes: app pra 18–55, totem simples pro check-in, balcão livre pros 55+.

Desafios

O que a pesquisa no balcão mostrou, na ordem do que custava:

  • 01

    Entrada manual de dados

    Cada paciente digitava e assinava tudo de novo, a cada visita

  • 02

    Documentação física

    Carteirinha, documento e guia em papel, conferidos à mão

  • 03

    Idosos no gargalo

    Usuários 55+ exigiam o maior tempo de balcão e travavam a fila de todos

  • 04

    Efeito cascata

    O atraso da recepção contaminava emergência e vacinação de rotina

  • 05

    Baixa alfabetização digital

    Habilidade motora reduzida e pouca familiaridade com tela

  • 06

    A tentação da IA

    A primeira jornada explorava IA — e ninguém quer inovação num ambiente de estresse

Soluções

  • 01

    Onboarding uma vez só

    Documento e plano de saúde registrados uma vez; depois, só validação de identidade

  • 02

    Scan & Go por NFC ou QR

    O check-in físico vira um toque — o celular é a chave digital do hospital

  • 03

    Simplicidade em primeiro lugar

    Pivô: fluxo direto ao ponto no lugar da jornada com IA

  • 04

    Alto contraste e alvos grandes

    Sistema visual pensado pra quem enxerga e toca com menos precisão

  • 05

    “Suporte humano” em todo passo

    Um botão de fallback visível sempre — ninguém fica preso na tela

  • 06

    UX writing que tranquiliza

    Texto curto e claro na hora de digitar dado sensível

Check-in rápido, lugar na fila garantido

As telas principais: telefone, localização, “você está no horário”, tudo pronto e a identidade confirmada pela digital.
  • Entrada: check-in ou cadastro, “já é paciente?”, e o telefone como primeiro dado.

  • Código de acesso por SMS, nome e data de nascimento — um campo por tela, teclado grande.

  • Os três últimos dígitos do documento em vez do número inteiro, e-mail e endereço.

  • Plano de saúde, a tela “Your Info Is Secure” com os dois consentimentos, e notificações opcionais.

  • Digital registrada uma vez; daí em diante é só validar.

  • O check-in: QR ou NFC no totem, e a confirmação do compromisso com um toggle.

  • “Você está no horário”: médico, horário, o mapa até a sala e, na chegada, o código da fila — com “Call Support” sempre visível.

Scan & Go: encostar, confirmar, chegar — “You’re On Time!”.

Do lo-fi ao hi-fi

Mapeei primeiro os fluxos de onboarding — paciente existente e paciente novo — e, o mais importante, o fluxo de check-in, em baixa fidelidade, com atenção a um UX writing curto e claro pra tranquilizar quem está digitando dado sensível. Só depois de os fluxos fecharem entrou a cor: um sistema de alto contraste, com alvos de toque grandes e o botão de “Suporte humano” visível em cada passo.

Os dois fluxos de usuário: onboarding (paciente novo e existente) e check-in.
Os dois fluxos de usuário: onboarding (paciente novo e existente) e check-in.
Wireframes de baixa fidelidade: os fluxos mapeados antes de qualquer cor. Hi-fi: alto contraste, alvos grandes e suporte humano sempre à vista.
Lo-fiWireframes de baixa fidelidade: os fluxos mapeados antes de qualquer cor.

Micro vitórias de UX

  • Um campo por tela

    Teclado numérico grande pra telefone, código e data — nada de formulário longo

  • Só os 3 últimos dígitos

    “Confirm your Social Security number” pede só o fim do número

  • “Your Info Is Secure”

    Tela dedicada explicando armazenamento e compartilhamento com a equipe, com dois toggles

  • Digital uma vez só

    Registrada no onboarding; o check-in vira validação de identidade

  • “Call Support” em todo passo

    O botão de fallback humano nunca sai da tela

  • Direção até a sala

    “You're On Time!” traz médico, horário, andar e o passo a passo

O totem

O encontro entre o celular e o balcão

O app resolve o público de 18 a 55; o totem resolve o encontro entre o celular e o balcão. Ele é deliberadamente simples: uma tela pequena que mostra o QR, o leitor NFC e um ajudante no local — a estratégia da pesquisa pedia exatamente isso, e nada além. O paciente encosta o celular ou aponta a câmera, e o check-in físico vira um toque.

O totem na parede e o celular com o QR: encostar ou apontar, e o check-in está feito.
O totem na parede e o celular com o QR: encostar ou apontar, e o check-in está feito.

Resultados

< 1 min

por check-in, de pessoa pra pessoa — entre 30 e 40 segundos. A meta era 2 minutos

Metade da meta, sem tirar o balcão de quem precisa dele

45–60%menos atendimento de balcão na faixa mais dinâmica — em análise
2 minera a meta de check-in

A aplicação funciona e o resultado de redução no balcão está em análise. O que ela libera é tempo: a recepção passa a atender, sem pressa, quem precisa de uma pessoa ali. O protótipo interativo é a base da suíte completa de gestão de saúde.

Protótipo interativo

O fluxo demonstra a transição de um onboarding seguro de dados pra uma validação em alta velocidade (NFC/QR) — o aparelho vira a chave digital do hospital. Clique em “Check-in” e siga até “You’re On Time!”.

Vamos construir juntos

Da primeira pergunta de pesquisa ao handoff para produção.